

No início o homem temia e reverenciava os fenômenos da natureza (o sol, a lua, a chuva, etc.) e tudo aquilo que não podia ou sabia explicar. Quando aprendeu a plantar e domesticar animais, deixou de ser nômade, surgiram os líderes e em muitos casos se autodenominaram deuses ou seus representantes na terra como forma de serem respeitados e manterem o poder sobre seus dominados.
Por volta de 1700 a.C. teria Abraão recebido orientação divina e normas de conduta e veneração, surgia aí o judaísmo, religião monoteísta (adoração a um único deus), e a formação do povo israelita.
O nascimento de Jesus marcou uma nova era na história da humanidade. Aquele que seria o filho de Deus trouxe novas normas de conduta, mais rígidas, e ao mesmo tempo mais humanas, que atingia um povo mais desenvolvido, e, tendo o amor como diretriz básica. Surgiu o catolicismo.
Na Idade Média a reforma religiosa protestante de Martinho Lutero, os evangélicos e suas ramificações.
Mais adiante na França, Alan Kardec codificou o espiritismo trazendo para a cultura ocidental os entendimentos de causa e efeito, reencarnação, contato com os espíritos.
Da miscigenação das religiões africanas com a cultura brasileira surgiu à umbanda, o candomblé, os cultos afro-brasileiros.
No oriente entre 1500 e 200 a.C. surge o hinduísmo na Índia, o budismo (inspirado pelos mestres como Siddhartha Gautama, o Buda, e o Islamismo, fundado por Maomé, originado com o profeta Abraão.
Desde os primórdios da humanidade o homem busca respostas. Teria o homem criado subterfúgios para os seus medos e dúvidas quanto às razões de viver ou não viver, ou mesmo para os medos ancestrais da natureza?
Teria, por outro lado, a crença na existência da divindade se originado através dos escolhidos (seres espirituais mais avançados) ou do inconsciente coletivo onde uma força infinita e superior se manifestou e transmitiu as regras básicas da convivência humana e a sensação de ligação/contato.
Estaria Deus na ingenuidade das crianças, na beleza da natureza, na inspiração que leva o ser humano a executar maravilhosas obras de arte na arquitetura, escultura, música, pintura, enfim, na arte em geral? Ou Ele se revela num momento de emoção, de reencontro, no amor à família, na saudade, na dificuldade que amadurece e faz evoluir, na provação do enfermo?
A influência de ideologias e interesses humanos alterou os ensinamentos básicos criando novas doutrinas e por isto afastando os fiéis mais críticos.
Analisando as grandes religiões da atualidade percebem-se divergências de interpretações do que seriam textos sagrados, dogmas, formas de culto, rituais, cerimônias, mas considerando sua essência, são muito semelhantes. Todas giram em torno da existência de uma força maior e pregam o bem.
As dúvidas são muitas, o tema é polêmico e complexo demais para se chegar a uma conclusão em poucas linhas, mesmo porque não há conclusão. Este é um sentimento pessoal.
Os templos ou a solidão, a oração repetida ou a espontânea, a adoração de imagens, a prática de rituais, o Deus personificado de branco, sentado num trono nos esperando para adorá-lo por toda a eternidade, uma luz ou uma força cósmica que tudo rege e organiza, infinita e onipresente, embasada nas leis do amor, ou simplesmente o ateísmo, muitas são as interpretações. Sempre lembrando que devem ser respeitados o direito às crenças e às formas de praticar a fé de cada um.
Se Deus é inspiração e intuição, o melhor é abrir o coração, arrumar mais tempo para a meditação e procurar o conhecimento interior, pois nos parece que pessoas que acreditam verdadeiramente em algo são mais tranqüilas e desapegadas, passam uma sensação de calma.
Então, se já praticamos uma religião e nos sentimos bem, devemos continuar seguindo estes ensinamentos e praticando no dia-a-dia, no entanto, se não nos adequamos com as formas das religiões ou nos desiludimos, não percamos o rumo, façamos a nossa própria religião, acreditando na inspiração que vem do nosso interior e tentando sempre buscar novas respostas. É uma busca que se desenvolve por toda a nossa vida.
Leonardo Vieira



