
Uma Revolução agita o mundo árabe. Países do norte da África são sacudidos por uma onda de desejo de liberdade nunca antes vista. As ditaduras imperam e oprimem, impondo o medo e a ignorância. Privilegiam déspotas que reinam como se a nação a eles, seus familiares e amigos
pertence-se. Usurpam riquezas produzidas pelo suor do seu povo ou extraídas das fontes naturais que cada país possui. No poder querem a eternidade extensiva a seus dependentes, na parte financeira nada menos que milhões de dólares desviados para suas contas, inclusive no exterior.
Independente da denominação política que se dê a forma de governo desses países o fato é que um dos pressupostos básicos e principais para que um governo não seja rotulado como ditadura reside exatamente na alternância no poder com voto popular direto,
Mas nada é eterno e o clamor popular fala alto. Além da imposição da violência e do medo aos que se levantam contra o regime, o controle da imprensa e dos meios de informação são ferramentas usadas para o bloqueio e alienação. Porém, não contavam com a Internet. Uma revolução na comunicação contemporânea, como um câncer maligno, se infiltra silenciosamente nas estruturas das nações subjugadas. Por mais que tentem controlar, sempre o acesso ao mundo está disponível de alguma forma, e a comparação com a cultura, política, economia de outros países é inevitável. Assim a insatisfação social que cresce constantemente só precisa de uma razão para explodir, a gota d´agua.
Os países do Ocidente faziam vistas grossas para essas ditaduras por interesses econômicos, no caso o petróleo, e medo de que uma revolução jogasse essas nações nas mãos de fundamentalistas radicais, mas o levante popular fez com que mudassem de idéia e apoiassem os insurgentes inclusive mediante o uso de sanções econômicas, bloqueio das contas dos ditadores em outros países e venda de armas a eles.
Assim, vencidos pela pressão interna e internacional, com facilidade até surpreendente, os presidente Hosni mubarak do Egito, 30 anos no poder e Zine El Abidin Bem Ali da Tunísia 23 anos no poder entregaram os cargos.
Na contramão dos fatos, mesmo perdendo o apoio de muitos de seus ministros, políticos, embaixadores e militares, um déspota mais radical, Mohamad Kadaffi da Líbia, já há 42 anos no poder resiste contratando mercenários com o dinheiro público e lançando seus aviões contra os manifestantes contrários ao regime. Vejamos por quanto tempo!
A China, um país de regime comunista, mesmo distante do mundo árabe, olhando de longe os acontecimentos, fecha o cerco contra os meios de comunicação e aumenta a filtragem das informações que chegam , com medo que o mesmo lá aconteça.Por enquanto tem conseguido mas seus jovens estão cada vez mais conscientes e encantados com o modo de vida ocidental moderno com a liberdade, a tecnologia e a posse dos bens de consumo.
A liberdade se encaminha para ser uma conquista mundial e depois o homem caminhará em busca da dignidade humana em todos os sentidos. É o nosso desejo.
Leonardo Vieira



