Usinas Nucleares, A Polêmica

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Confesso que estava enganado. Sem me aprofundar no assunto sempre imaginei que as usinas atômicas gerassem a energia elétrica que abastece cidades através de uma reação química direta. Pois descobri que a força que move os geradores é a pressão do vapor d’água. Exatamente como as rústicas locomotivas movidas a vapor.

 

A diferença de processos está na forma como a água é aquecida para formar o vapor. Enquanto nos antigos trens a água de uma caldeira era aquecida por lenha ou carvão que é um combustível fóssil e, portanto, despeja grande quantidade de gás carbônico na atmosfera, ajudando na formação do efeito estufa, as Usinas Atômicas funcionam com a quebra dos átomos de urânio em átomos menores que, num processo complexo,  ao se romperem geram a energia térmica ( calor ). Este processo é limpo porque não gera nenhum dano à natureza enquanto em funcionamento normal.

 

O problema é que estas partículas são radioativas. Os estudos com a fusão nuclear iniciaram na Polônia, no início do séc. XX com a cientista Marie Curie que morreu contaminada por suas próprias experiências.

 

Apesar da energia limpa gerada, há inúmeros  casos de acidentes com estas usinas. As de maior destaque são as de Chernobyl na Ucrânia, ocorrida em 1986 e atualmente a usina nuclear de Fukushima no Japão.

 

Os japoneses são um povo disciplinado, com alta tecnologia, trabalhador e com baixos índices de corrupção. Suas obras são feitas sempre levando em consideração a posição geográfica do país, uma ilha no pacífico, muito próxima das divisões que separam as placas tectônicas, por isso mesmo vulnerável a terremotos e tsunamis.

 

Mesmo assim, o último terremoto de magnitude 9 graus na escala Richter comprometeu a estrutura destes prédios, que deixaram vazar material radioativo atingindo uma grande região, sendo que tão cedo não será possível fazer uma avaliação precisa das conseqüências deste desastre.

 

O caso Japão colocou em cheque as teses de segurança das usinas. Países como a Suíça e Alemanha suspenderam imediatamente reformas e projetos de construção de novas usinas e a União Européia (UE) pensa em fechar usinas antigas, reavaliar outras e pisar no freio quanto a novos projetos.

 

No Brasil temos em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, as usinas Angra I e Angra II e projetos de Angra III e de uma nova central na região nordeste.

 

O país está em pleno desenvolvimento econômico o que gera naturalmente maior consumo de energia elétrica. Para atender a esta demanda será necessário, cada vez mais, o uso de geradores movidos por combustíveis fósseis (vegetais), como o carvão e o petróleo, ou a construção de novas usinas hidrelétricas, o que também acaba comprometendo o ecossistema.

 

Por outro lado usinas atômicas estão sujeitas ao terrorismo, falhas humanas,  qualidade de materiais, má administração, falta de manutenção, etc. As conseqüências de um acidente são gravíssimas, assustadoras e se perpetuam por muitos anos.

 

Por mais que se trate de uma energia limpa em condições normais, que não polua a natureza, e que a relação custo-benefício com outras fontes energéticas seja compensadora, só a possibilidade de uma contaminação em massa, por mais remota que seja, se torna tão devastadora como uma guerra, só que uma guerra contra um inimigo invisível, pois o contato com altos índices de radiação quando não letal, causa doenças diversas, inclusive tipos de câncer, e geneticamente incide sobre os descendentes dos afetados que já nascem doentes e com anomalias genéticas.

 

Por isso é necessário que as autoridades brasileiras repensem com cuidado, sobre a construção de novas usinas. É preciso que se conheça mais sobre essa tecnologia, principalmente no que tange à segurança. Então, o mais aconselhável e prudente seria suspender qualquer projeto nesse sentido e ouvir a população, pois um acidente nuclear é muito grave. Dependendo das proporções atinge áreas muito distantes e seus efeitos sobre as pessoas, água, solo, plantas, animais, perduram por muitos anos.

 

Leonardo Vieira

Última atualização ( Qua, 06 de Abril de 2011 10:15 )  

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